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Escolha da carreira: Por onde começar?

Hoje em dia muito se fala sobre fazer o que se ama, sobre a busca pelo propósito de carreira, sobre buscar a autenticidade e correr atrás dos sonhos. Isso tudo é muito natural diante da realidade e das aspirações dessa geração, uma vez que boa parte dela teve um contato muito mais direto com a internet, com o mundo que existe lá fora e com as informações de forma geral.

O ponto é: como controlar todos esses estímulos para saber o que queremos de verdade?

Bom, o primeiro e, para mim, mais importante passo é o de ter consciência do que realmente é importante para você e entender que serão essas coisas que, inevitavelmente, devem direcionar as suas escolhas. Parece meio óbvio, né? Pois é! Quantas vezes na vida você considerou pensar no que você realmente valoriza para decidir algo, principalmente se estiver se tratando da carreira?

Na minha experiência, a ideia de escolher a carreira foi um pouco mais superficial do que essa. O que aprendi se baseava em: passe de ano, estude para o vestibular, entre em uma boa faculdade, escolha uma profissão que traga boa remuneração, trabalhe sem questionar, economize, divirta-se aos finais de semana e seja feliz na aposentadoria. “Que coisa esquisita”, eu pensava quando via as pessoas falando disso como se fizesse total sentido!

Não que você não tenha que estudar, almejar fazer os melhores cursos ou ganhar muito dinheiro. Dinheiro é importante e nos ajuda a ter acesso à muitas coisas, sim! Não dá para negar. Porém, nem sempre quem usou isso como direcionador conseguiu alcançar o final feliz desejado. Talvez, essa busca seja muito genérica para uma geração em busca de preenchimento.

Hoje em dia, sabemos que esse preenchimento, a sensação de realização, reconhecimento e utilidade podem vir também das experiências que vivemos e do impacto que causamos. Talvez você não tenha reparado, mas as pessoas que dizem ser realmente felizes são as que defendem seus ideais e vivem suas vidas de forma a não contradizer seus valores.

Isso acontece porque elas sabem como atender às necessidades da sua própria identidade, usando seus valores pessoais como direcionamento para as decisões mais importantes da vida, incluindo a escolha do seu trabalho e de qual legado elas querem deixar. Esse tipo de atitude fica transparente para quem vê, uma vez que as coisas fluem tão naturalmente, que passam aquela sensação de “escolha certa” ou “ela nasceu para fazer aquilo, né? ”.

Os nossos valores são aqueles que, quando atendidos, proporcionam felicidade, paz, plenitude e calma, mas que, quando são corrompidos, proporcionam angústia, tristeza, irritação e raiva.

Então, fica o desafio prático:

  • O que para você é inegociável?
  • O que realmente é tão importante que não pode faltar na sua vida?
  • O que te faz sentir aquela sensação de missão cumprida?
  • O que te faz perder o sono, se irritar ou se sentir triste?
  • O que te incomoda hoje no seu emprego/ estágio/ curso de graduação? O que parece não fazer sentido?

Depois de ter a resposta para essas perguntas, questione-se para cada uma delas “E o que essas coisas me proporcionam? ”. Se as respostas para essa pergunta forem parecidas com os sentimentos que nossos valores atendidos ou corrompidos causam, é provável que você já tenha os principais valores que devem ser guias da sua bússola interna. Se o que te irrita é a injustiça, então provavelmente você valoriza a justiça, se o que te faz feliz é aprender sempre, crescimento pode ser um valor também!

Quanto mais alimentamos nossos valores, mais felizes somos e quanto mais felizes, mais criativos, gentis, dispostos, determinados e engajados ficamos, o que tem sido, inclusive, notado pelas empresas no momento da seleção de candidatos. Aqueles que estão mais alinhados com o perfil e valores da empresa, têm mais chances de conquistar um espaço, pois são aqueles que vestem a camisa, então, nada melhor do que ver esse casamento de valores acontecer, certo?

Comece a escolha da carreira pelo lado de dentro, sentindo o que faz o seu coração vibrar e busque um trabalho, em uma empresa que alimentem isso. Fazer o que se ama não se trata simplesmente de acordar todos os dias e só ter atividades que nos agradam, mas, principalmente, de ver seus principais valores sendo vividos ali.

Teremos os mesmos valores para sempre? Ficaremos fazendo a mesma coisa e acabou? Essa é a fórmula de felicidade no trabalho? Veja bem, o ser humano é muito mais complexo do que isso. Nossas necessidades mudam ao longo da vida, mudando com isso quem somos e o que valorizamos.

Por experiência própria, digo que você terá que refazer aquelas perguntas algumas vezes, geralmente em momentos de mudança ou grandes acontecimentos, mas afinal, se queremos sentir que faz sentido, esse é um ótimo começo!

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